Monday, July 30, 2007

traduçao caseira de um poema que adoro


Há mil portas atrás
quando eu era uma miúda solitária
numa casa grande com quatro
garagens e era verão
desde sempre,
da noite deitada na relva,
com os trevos a enrugarem-se por cima de mim
as estrelas sábias deitadas sobre mim,
a janela da minha mãe um funil
de calor amarelo a escorrer
a janela do meu pai, meia fechada,
um olho onde adormecidos passavam,
e as tábuas da casa
eram macias e brancas como a cera
e provavelmente um milhão de folhas
velejavam nos seus caules estranhos
enquanto os grilos faziam tiquetaque em uníssono
e eu, no meu corpo recém estreado,
que ainda não era o de uma mulher,
dizia às estrelas as minhas perguntas
e pensava que Deus poderia mesmo ver
o calor e a luz pintada,
cotovelos, joelhos, sonhos, boa noite



Anne Sexton



traduçao caseira de um poema que adoro


Há mil portas atrás
quando eu era uma miúda solitária
numa casa grande com quatro
garagens e era verão
desde sempre,
da noite deitada na relva,
com os trevos a enrugarem-se por cima de mim
as estrelas sábias deitadas sobre mim,
a janela da minha mãe um funil
de calor amarelo a escorrer
a janela do meu pai, meia fechada,
um olho onde adormecidos passavam,
e as tábuas da casa
eram macias e brancas como a cera
e provavelmente um milhão de folhas
velejavam nos seus caules estranhos
enquanto os grilos faziam tiquetaque em uníssono
e eu, no meu corpo recém estreado,
que ainda não era o de uma mulher,
dizia às estrelas as minhas perguntas
e pensava que Deus poderia mesmo ver
o calor e a luz pintada,
cotovelos, joelhos, sonhos, boa noite



Anne Sexton



Tuesday, July 17, 2007

tradução caseira da lebre


Não o poema da tua ausência,
apenas um desenho, uma greta num muro
algo no vento, um sabor amargo.



Alejandra Pizarnik


Monday, July 2, 2007

tradução caseira da lebre


alguma vez
alguma vez talvez
me irei sem ficar
me irei como quem vai



Alejandra Pizarnik



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Tuesday, June 12, 2007

tradução caseira da lebre

O eu terminou e o mundo começou.
Tinham o mesmo tamanho,
comensuráveis,
um espelhava o outro.



Louise Glück



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Monday, June 11, 2007

tradução caseira da lebre


estes fios aprisionam as sombras
e obrigam-nas a render contas do silêncio
estes fios unem o olhar ao soluço




Alejandra Pizarnik



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Thursday, June 7, 2007

tradução caseira da lebre


Ele disse, não quero uma dessas coisas cá em casa. Dá uma falsa noção de beleza a uma menina, já para não falar de anatomia.
Se uma mulher fosse feita assim cairia de borco.

Ela disse, se não a deixarmos ter uma como todas as meninas, ela vai-se sentir isolada. Vai-se tornar num problema. Vai ansiar por uma e vai querer ser uma. A repressão gera sublimação, sabes bem isso.

Ele disse, não são só as mamas de plástico pontiagudas, são as roupas. As roupas e aquele estúpido boneco masculino, como é que ele se chama, aquele com a roupa interior colada.

Ela disse, é melhor despachar isto enquanto ela é pequena.

Ele disse, está bem, mas não me deixes ver.

Veio a sibilar pelas escadas abaixo, atirada como uma seta. Completamente nua. O cabelo tinha sido cortado, a cabeça virada de trás para a frente, faltavam-lhe alguns dedos dos pés, e estava toda tatuada com arabescos de tinta roxa. Atingiu o vaso das azáleas, tremeu por um momento, como um anjo remendado e caiu.

Ele disse, acho que estamos safos, o perigo já passou.



Margaret Atwood



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