Sunday, August 13, 2006

fechou-se o sol, fechou-se o sentido do sol, iluminou-se o sentido de fechar

Alejandra Pizarnik
(tradução caseira da lebre)


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Wednesday, July 19, 2006

mais uma tradução caseira da minha Pizarnik

Saltei de mim ao amanhecer.
Deixei o meu corpo junto à luz
e cantei a tristeza do que nasce.


Alejandra Pizarnik


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Tuesday, July 18, 2006

tradução caseira da lebre

O curso de um dia nunca é estável.
as horas experimentam com dor e prazer.
Na hora de dormir só conhecem vertigem.
Mas quanto dura um dia?
Tanto quanto o amor, dizem uns.
Mas o amor parte cedo,
antes que o amanhã e a morte comecem.
E quanto tempo dura o dia num dia?
Uns dizem para sempre.
Mas a começar quando?

No mesmo instante em que pela primeira vez
os olhos se arregalaram e não viram nada
num não tão tarde quando, pela última vez,
o tempo durou não mais que um dia,
um dia de adivinhas:
Por quanto tempo é permitido
chamar de tanto o que é tão pouco?


Laura Riding


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Thursday, June 29, 2006

mais uma tradução caseira da lebre


Isto foi um erro,
estes braços e pernas
que já não funcionam

agora está partido
sem espaço para desculpas.

A terra não conforta,
Apenas cobre
Se tiveres a decência de ficar quieto

O sol não perdoa,
Olha e continua a andar.

A noite infiltra-se em nós
através dos acidentes que
provocámos um ao outro

da próxima vez que cometermos
amor, devemos
escolher primeiro o que matar.


Margaret Atwood


Thursday, June 15, 2006

tradução caseira da lebre

Ó mãe
aqui no teu colo,
tão bom como uma taça cheia de nuvens,
a mim, a tua criança gananciosa
é dado o teu peito,
o mar embrulhado em pele,
e os teus braços.
raízes cobertas de musgo
com novos rebentos a nascerem
para me provocar as cócegas.
Sim, estou casada com o meu urso
mas ele tem o teu cheiro
e também o meu.
O teu colar que eu tacteio
é todo olhos de anjo.
Os teus anéis que brilham
são como a lua no lago.
As tuas pernas que abanam para cima e para baixo,
as tuas queridas pernas cobertas de nylon
são os cavalos que eu cavalgarei
para a eternidade.

Ó mãe,
depois deste colo de infância
nunca irei
para o mundo das pessoas grandes
como um estranho
uma fabricação,
ou vacilar
quando alguém
for tão vazio como um sapato.

Anne Sexton


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Monday, May 15, 2006

tradução caseira da lebre


um olhar desde o esgoto
pode ser uma visão do mundo

a revolta consiste em olhar uma rosa
até pulverizar os olhos


Alejandra Pizarnik


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Wednesday, May 3, 2006

tradução caseira da lebre


Há ferrugem na minha boca
a nódoa de um beijo antigo.
E os meus olhos estão a ficar vermelhos,
a minha boca é cola
e as minhas mãos são duas pedras
e o coração,
ainda lá está,
aquele lugar onde o amor morou
mas está pregado no sítio.
Mas eu não tenho pena por estas extravagancias,
de facto o sentimento é de ódio.
Porque é apenas a criança em mim a irromper
e eu continuo a conspirar em como a matar.

Outrora havia uma mulher,
cheia como um teatro da lua
e o amor gerou amor
e a criança quando espreitou,
não se odiava nessa altura.
Estranho, estranho, o que tu fazes amor.
Mas hoje eu vagueio numa casa morta,
uma cozinha congelada, um quarto
como uma câmara de gás.
A cama é uma mesa de operações
onde os meus sonhos me cortam em pedaços.

Ó amor,
o terror,
a peruca do terror,
que a tua querida e encaracolada cabeça
era, era, era, era.

Anne Sexton


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