Thursday, May 8, 2008

tradução caseira da lebre


E nada será teu senão um ir até onde não há onde.



Alejandra Pizarnik



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Monday, April 21, 2008

tradução caseira da lebre


eu uno-me ao silêncio
eu uni-me ao silêncio
e eu deixo-me fazer
deixo-me beber
deixo-me dizer




Alejandra Pizarnik




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obrigada martinha

Monday, April 14, 2008

tradução caseira da lebre


(...)
Sou rainha de todos os meus
pecados esquecidos. Ainda estou perdida?
Em tempos fui bonita. Agora sou eu própria



Anne Sexton



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Thursday, April 10, 2008

tradução caseira da lebre



ela tem medo de não saber nomear o que não existe



alejandra pizarnik



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Tuesday, April 1, 2008

tradução caseira da lebre


ser sonhadora na sua camisa azul
que ama a terra estranha
ou atrever-me como a naufraga
que volta ao mar
porque ninguém se alegra
com a sua salvação



Alejandra Pizarnik



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Tuesday, March 25, 2008

tradução caseira da lebre


Aqui tudo é amarelo e verde.
Ouçam a sua garganta e a sua pele de terra,
a voz completamente seca dos pimentos
enquanto eles palpitam como anúncios.
Os pequenos animais do bosque
estão a levar as suas máscaras funerárias
para uma estreita caverna de Inverno.
O espantalho arrancou
os seus dois olhos como diamantes
e caminhou para a aldeia.
O general e o carteiro
tiraram as suas mochilas.
Tudo isto já aconteceu antes
mas nada aqui é obsoleto.
Tudo aqui é possível.

Por causa disto talvez uma jovem rapariga tenha despido
as suas roupas de Inverno e sentou-se
ao acaso num ramo de árvore
que está por cima de um lago no rio.
Ela foi vertida para o ramo,
rente à casa dos peixes
enquanto eles nadam para dentro e para fora do seu reflexo
e para cima e para baixo das escadas das suas pernas.
O seu corpo leva as nuvens até casa.
Ela está a olhar para a sua cara feita de água
no rio onde os homens cegos
vêm tomar banho ao meio dia .

Por causa disto
o chão, esse pesadelo de Inverno
curou as suas chagas e rebentou
com pássaros verdes e vitaminas.
Por causa disto
as arvores entregam as suas valas
e seguram pequenas chávenas de chuva
com os seus dedos esguios.
Por causa disto
uma mulher está ao pé do seu fogão
a cantar e a cozinhar flores.
Tudo aqui é amarelo e verde.

Com certeza que a Primavera vai permitir
que uma rapariga nua
se vire suavemente na sua luz solar
e não tenha medo da sua cama.
Ela já contou seis
flores no seu espelho verde verde.
Dois rios fundem-se debaixo dela.
A cara da criança enruga-se
na água e desaparece para sempre.
A mulher é tudo o que pode ser visto
na sua beleza animal.
A sua pele acarinhada e obstinada
permanece profundamente debaixo da árvore feita de água.
Tudo aqui é completamente possível
e os homens cegos também podem ver.



Anne Sexton



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Monday, March 24, 2008

tradução caseira da lebre


faço a minha cabeça, como costumava
de um saco de papel,
puxo-o até ao colarinho

desenho olhos à volta dos meus olhos
com picos roxos e verdes
para mostrar surpresa,
um nariz com forma de polegar

uma boca à volta da minha boca
esboçada pelo toque, e depois colorida
a vermelho mortiço.

com esta cabeça nova, o corpo
esticado como uma meia e exausto
poderia dançar outra vez; e se eu fizesse
uma língua, eu poderia cantar

um lençol velho e é Halloween;
mas porque é que pior ou mais assustadora
esta cara de cabeça de alfinete
de cabelo quadrado e sem queixo?

como um idiota, não tem passado
e está sempre a entrar no futuro
através das frestas de olhos, miope
e às apalpadelas com o seu grande sorriso,
um tentáculo de eterna felicidade

cabeça de papel, prefiro-te
por causa do teu vazio;
de dentro de ti qualquer
palavra ainda pode ser dita.

contigo eu poderia ter
mais do que uma pele,
um interior em branco, um reportório
de histórias por contar.
Um novo começo.


Margaret Atwood



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